UDESC INVADIDA
Medo, perplexidade e indignação
Por Celso Martins (textos e fotos)
Retirado de http://sambaquinarede2.blogspot.com/

Os depoimentos ouvidos na tarde de segunda-feira (7.6) no auditório da FAED-Udesc, resumem três sentimentos: medo, perplexidade e indignação. Medo da própria PolÃcia Militar e sua ação truculenta, temperada a choques elétricos, cães e cavalaria, cujo papel constitucional seria o de garantir a segurança pública. Perplexidade frente o silêncio dos parlamentares e do sindicalismo, das limitações da mÃdia e do aval do Ministério Público à repressão. Indignação própria de quem vê o estado democrático de direito ser vilipendiado em praça pública. Os antigos métodos de tortura usados nos porões da ditadura civil-militar de 1964, como o pau-de-arara e a cadeira-do-dragão, ganharam a versão Taser, doadas pelo Ministério da Justiça para uso no combate ao crime.
Anotações de depoimentos
* Os estudantes da Udesc foram impedidos de sair em manifestação. Não puderam se deslocar nem pela calçada.
* No caso da invasão da Udesc não houve a combinação ação-reação. Os estudantes não provocaram. A PolÃcia não tinha motivo para reagir. Mas agiu, sob a Taser do capitão MaurÃcio Silveira, comandante do Policiamento Tático.
* Uma das pessoas presas garante que não fez nenhuma provocação. O capitão Silveira havia passado por ele e feito um gesto com o joelho de quem ia acertar os órgãos genitais do estudante, mas seguiu. Os colegas em volta começaram a gritar e perguntar o motivo da ameaça, momento em que o oficial se voltou e correu para prendê-lo.
* Algumas lideranças foram “marcadas” e se tornaram alvos da repressão. Existe um “dossiê” das lideranças.
* Na última quarta-feira (2.6), os manifestantes foram cercados na frente do Ticen (avenida Paulo Fontes). Quem estava não podia sair e quem chegasse ganhava um chega-pra-lá. Campo de concentração ao ar livre, diante do público. “Cárcere público”, “jaula” feita de policiais militares por todos os lados da manifestação.
* A presença da PM na UFSC está se “naturalizando”. Sob o argumento de combate à criminalidade, as viaturas policiais transitam livremente pelas vias internas do campus. Vias consideradas públicas, outro argumento para a presença militar.
* O reitor da Udesc se reuniu com o secretário de Segurança Pública e recebeu a garantia de que “isso não pode mais acontecer” (a invasão policial militar do campus da Udesc).
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