Por Frederico T. Gorski
Por volta das sete horas da noite do dia 31 de maio, após uma sessão de ensaio com meu grupo de teatro, deixei a UDESC em direção à UFSC, acompanhado de um amigo, a fim de tomar parte em uma reunião que acontecia naquela universidade. Logo ao sair, notei um exÃguo número de estudantes – estimei que fossem entre 20 e 30 estudantes – realizando um ato em frente ao campus. Duas viaturas da polÃcia militar já haviam chegado ali, sem interferir diretamente com os estudantes, que sequer pretendiam o fechamento completo da avenida Madre Benvenuta. Para falar a verdade, a última vez que os avistei, estavam sobre o canteiro, esperando oportunidade para realizar o ato sobre uma faixa de pedestres. Qual não foi minha surpresa, frente ao que foi dito, quando alguns metros a frente, avistei três camionetes do Pelotão de Patrulhamento Tático dirigindo-se ao local de forma extremamente agressiva. Uma delas, inclusive, acertando o retrovisor de um dos carros por entre os quais passavam. Comentei com meu amigo ser um confronto assaz desigual destacar doze policiais do Grupo de Resposta Tática para enfrentar vinte pessoas em uma manifestação pacÃfica.
Cerca de quinze minutos mais tardes, próximo à Universidade Federal, recebi de outro amigo um telefonema: a reunião estava cancelada, um estudante fora preso e estavam todos se dirigindo à UDESC para apoiar a manifestação.
Quando chegamos de volta, o local era quase irreconhecÃvel. A Avenida parecia uma praça de guerra. Os três carros da PPT se posicionavam sobre os canteiros e um grupo de mais ou menos sete desses acompanhava da rua a caminhada dos manifestantes de um lado para o outro, em cima da calçada. Eventualmente, os policiais passavam a faixa para postar-se frente ao grupo de estudantes, dessa vez já com o destacamento completo. Todos, e é preciso frisar, todos os policiais mantinham seu posicionamento com o armamento exposto – as armas taser (choque) e spray de pimenta, além de cassetetes.
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